sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ainda assim, amigas

Como se estivesse escrito nas estrelas, mais uma vez, a mesma situação.
É muito bonito para elas, uma história de amor começa a existir. Há esperança de um rapaz interessante mesmo em meio a tantos corrompidos. Elas sentem gratidão a Deus, agradecem, oram, clamam por um sinal, por paz no coração, e se alegram quando o Espírito lhes confirma a permissão daquele envolvimento que está para começar, ou já começou. É tempo de curtir e desfrutar da idônea semente do afeto, do carinho, do cuidado, do zelo, e provavelmente...do amor.

Mas enquanto há festa em parte de seus corações, na outra parte, há temor. Se lembram da amiga amada, aquela que lhes apresentou o dito cujo, ou falou dele, contou detalhes, preciosidades, riquezas da personalidade etc... ponderam em como fazer para que ela não seja ferida com aquela decisão; a amiga que sempre as acompanhou no início e término de relacionamentos traumáticos ou passageiros, sempre aconselhou, sempre fez piadinhas, sempre ajudou, orou, mandou o e-mail semanal de bom-ânimo, a mensagem carinhosa inesperada, os segredos espirituais, as ligações da meia-noite, os segredos das aventuras nada cristãs... a experiência espiritual dividida, a tristeza ouvida e compartilhada... bons tempos. Como poderiam magoar uma amiga tão preciosa? Mas abrir mão de um envolvimento que parece ser exatamente o que esperavam há tempos não seria demais? Certamente o que Deus preparou e a escolha foi dele! Sabe-se que eles não tinham mais nada, ela nem deve ter gostado dele, ou deve tê-lo esquecido facilmente...
Para desencargo de consciência, elas resolvem conversar com a amiga, afinal, não querem uma troca, uma coisa pela outra!!?!? Jamais.

Chega o momento do discurso. Desde o primeiro, ao de hoje, foram todos idênticos, independente da diferente intensidade de sentimento em relação ao passado. A primeira chorava aos soluços para não perder a amizade da amiga que dolorosamente terminou o relacionamento muito intenso de mais de 3 anos, com o rapaz que ela decidiu se relacionar.
A segunda amiga, optou pela mentira, pelo disfarce... mas tudo que está escondido é revelado. A situação fica tensa, mas o tempo somado ao poder de restauração de Deus, desfez toda divisão que parecia irreversível. As demais vieram com o tempo.
Exatamente as mesmas que acompanharam a amiga no momento de superar a dor da perda, da rejeição, da mentira e da compreensão ao ver o primeiro amor com uma melhor amiga, experiências tão dramáticas, foram as que vieram discursar o envolvimento com “o cara”. É só questão de tempo. Tempo para a amiga amada se relacionar, tentar se envolver, não conseguir e terminar chateada. Assim, a amizade que surgiu entre suas amigas e o namorado (agora ex) durante o relacionamento se tornou lucrativa para eles e para elas. Isso é bom. Ela é porta de relacionamentos. Mas e os dela? Por que não deram certo? Há tempo pra tudo, o tempo presente é de entender, acompanhar e amar.

A amiga escolhida ouve os discursos que com a repetição e semelhança da situação, são memoráveis e previsíveis.
Permitam-me: “você é muito importante,
eu te amo muito,
é como uma irmã pra mim (ou de fato é a irmã amada),
te admiro demais,
você é mulher de Deus,
preciso da sua amizade,
Deus vai te honrar,
minha intenção jamais foi te magoar,
não quero nem pensar na hipótese de ter te ferido,
me preocupo muito com você....”
E o clássico: “o que você precisar dizer, fale pra mim, por favor, não pros outros.”....
”converse comigo sobre o que você sentir a respeito disso”...
Outras ainda ousam: “se te machucar, eu vou abrir mão deste relacionamento”.
(não mesmo... o princípio da RAZOABILIDADE não foi respeitado)
Outras são mais secas “haja com naturalidade, por favor?”
Lágrimas, lágrimas, lágrimas.... e finalizam “me diz o que você pensa, sente, pode falar tudo!!!”


Tudo o que? Amigas.
Não há time, não há motivo, não há guerra, não existem razões.
Que declaração daquela amiga poderia ser justa a ponto de proibir-lhes um relacionamento sob justiça, conforme o que apresentaram.
Não há contra-resposta. Não há irregularidade, ilicitude ou falsidade.
É escolha. Toda escolha tem conseqüência. Não importam quais elas sejam, houve a oportunidade de escolher a semente, o fruto virá com o tempo e as estações.

Então, sem xurumelas. Respeitem as estações.
Entendam a frieza do inverno e o padecer das plantas no outono,
não reguem o gelo nem tentem plantar na secura da terra árida.
A primavera e o verão irão chegar.
A reação da semente é relativa aos elementos naturais necessários para seu desenvolvimento.

A abstração é proposital, para dificultar a compreensão.

É assim que a ‘amiga amada’ está. De forma difícil de compreender.

Sem rancor, sem mágoa, chega de raivinhas.
Bastam as declarações de amizade e/ou irmandade.
Servem de adubo para o drama, a dor, a ilusão e a decepção.
Deixem com o tempo, que faça passar.
E com Deus, que venha curar.

A amiga amada está sendo sublimada por encarar tantas vezes a mesma situação.
É uma causa sem culpado, de motivo inexistente, e sem direito a defender.
Vamos falar de ética? Pra quê? Esse assunto é chato.
Quando se trata de interesses particulares, se torna inexistente.

O fato é que a amizade existe e sempre existirá.
O amor e a fraternidade não podem depender de apenas um ponto de lealdade ou uma forma de avaliação; avaliação esta que seria extremamente egocêntrica se atê-se somente ao bem interior da amiga amada – solteira, machucada e ocupada.

Ema, ema, ema. Cada um com seus problemas e não finjamos que não é assim.
O gafanhoto canta tanta poesia que se torna hipócrita perto da formiga determinada em agir.
Ter ou não o rapaz que foi dela não leva ninguém para o corredor da morte.
Nem para o tribunal de ética e disciplina.
É a realidade. “Shit and blessings happens”.

A felicidade de alguns pode trazer tristezas para outros, mas que amizade causaria isso?
Seria muita pobreza de espírito.
Vocês se conhecem demais... e podem acreditar que, na essência:

O choro compartilhado, o sorriso na hora da fotografia, as piadas nas viagens,
As noites de pijamas, as conversas confidentes, os desabafos, as orações, os abraços,
As discussões, os traumas, os sentimentos... o tempo, a história e o amor, não podem ser apagados.
Um rapaz não tem esse poder sobre uma amizade. Nem merece.


A verdade é que realmente não importa se haverá ofensa, dor ou alegria e júbilo.
O fato existe.... o fruto de uma escolha.
Mas a amizade também existe.... o fruto de uma história.

Ainda assim, ela as ama....
Ainda assim, serão amigas.

7 comentários:

Larinha, Lara ou La ... disse...

=O

...
comentar?
eu?
rs... desta vez, vou me calar. . .


=O


incrível!

ricardo disse...


Eu também não sei o que comentar. O que tenho dito pessoalmente permanece. Desembucha irmã... rs

Mas enfim, fica o elogio pela lucidez e a maturidade do trato da coisa, apesar da instância não ser lá a mais adequada.

Torço por você sempre!

beijos, ricardo

Marcia disse...

Também vou na linha dos vizinhos...não tem o que comentar. Suficientemente lúcido.
Mas se me permite um adendo: não precisam ser melhores amigas, talvez a menor intensidade e importância ajudem em todo o processo.Ou não?!?!?!?(fase de não-rotulação-hehehe)
bjs!

Kauê disse...

Muito loco o seu texto.. gostei mesmo, acho que o melhor comentário pra ele foi vc quem fez..
“Shit and blessings happens”
e as blessings.. estão por vir.. Deus tem tudo preparado pra vc.. Bjao e fica tranquila que tudo vai se resolver..

Mel disse...

Marcia, excelente observação. Me prontifiquei em ajustar aquela intensidade e gelar um pouco esse drama de vida privada.
obrigada! bj.

Lê Cami disse...

Realmente. Lúcido e maduro. Saber esperar que as estações passem e os frutos apareçam, mas, ainda assim, manter firme a mão que prepara a terra e cuida de cada plantinha desse jardim amistoso.

Sanidade mental, minha amiga. Chegaste ao nirvana!
=)
Bj

Cleber Afonso disse...

Não sou um mero conhecedor de sua mente viajante, mais sou um mero conhecer de tua personalidade. Essa a qual eu admiro cada vez mais, quando vejo momento de teus distúrbios, que fazem aumentar mais minha ideologia filosofica revolucionaria maluca.
Saiba que distúbios que vc propaga, são meras fontes de inspiração do conhecimento e de que amizades assim, não são impossíveis. Mel, te adoro! Acho que falei d+, sem um fim, mais é valido a filosofia. bjsss